17 de jul. de 2024

Swiss


Existe um lugar onde o verde da relva é mais verde, onde o azul dos rios e lagos é mais azul, e onde o ar é mais ar.

Um lugar onde a natureza pode descansar mais tranquila, mais sossegada, e se mostrar mais viva.

Existe um lugar que é mais lugar que outros lugares, e não é só uma questão de paisagens. É também uma questão de pessoas, de família, de afetos.

A Suíça seria menos Suíça se não fosse por vocês, e eu seria menos eu também. Do mesmo jeito que a natureza encontra aqui algum refúgio e sustentabilidade, eu encontrei, mais uma vez, descanso e as energias gratas, renovadas, felizes.

Mais do que a grama verdinha e cheirosa, os seus risos e partilhas, suas rotinas e conquistas, disponibilidades e carinho têm aquela força de nos equilibrar por osmose e devolver o mesmo brilho que se vê na relva verdinha, no azul translúcido, no ar fresco e limpo.

Agradecer só por estes dias seria diminuir o tamanho da gratidão que sinto, que é não só por estes dias mas por vocês serem quem e como são, pelas risadas gostosas, abraços carinhosos, brincadeiras, delícias, momentos, conversas e experiências.

Peter, Pê, Dani, Ni, obrigada! O tamanho do amor, da admiração e do orgulho que sinto por vocês é gigante.

Obrigada ❤️

4 de jul. de 2024

Famílias

Tenho sempre latente em um recanto mental qualquer, a pergunta constante do porquê, a necessidade de perceber tudo, do que quero, faço, sinto, espero.

Não é por querer, nem é através de nenhum esforço - só está lá, sempre. Isso faz-me ir (ou tentar ir) sempre um pouco mais fundo, um pouco mais longe, um pouco mais depressa, um pouco mais alto. Em tudo, sempre.

Anos atrás, dei à isso o nome de Desassossego. O meu. A minha consciência e o meu desassossego. Um não existe sem o outro - embora existam lampejos de consciência sossegada, mas são muito raros.

Talvez por isso, tenho me percebido a pensar que posso estar a procura de uma vida que passou há muito, muito, muito tempo... 

Uma vida em que a casa era cheia, a porta nunca estava trancada e estávamos todos juntos no mesmo barco, éramos uma família.

Talvez eu ande à procura daquela segurança, daquela certeza absoluta de que não importava o que pudesse acontecer, como ou à quem, estaríamos sempre todos juntos e seríamos sempre uns pelos outros. Aliás, não é que não importava o que pudesse acontecer - nada que pudesse acontecer mudaria a vida que era aquela.

Mas mudou.

Mudou e me partiu por dentro. Irremediavelmente.

Sem dramas e sem culpados, sem disfarces nem panos quentes, sem ilusões e sem rodeios, foi simplesmente assim.

E da melhor forma que eu pude e que eu sabia, tentei juntar e recolher pedaços, tomei as melhores decisões que pude, pensando que eu estava apenas a seguir o fluxo que era natural das coisas. Mas não era. O meu fluxo natural eu ainda ia precisar cavar muito e muito profundamente para encontrar.

Recolhi os pedaços acreditando sinceramente, que eu estava a fazer o certo, o melhor. Hoje, vejo de forma diferente e penso que se voltasse atrás, eu escolheria de outra forma. Quase de certeza que sim.

Um dos problemas da consciência é que ela possui um tempo próprio, e nos esclarece muitas vezes só muito tempo depois.

Ter-me confrontado com algumas verdades da vida me destroçou. Não encontro palavra melhor.

Tanto, e de tal maneira, que precisei dizer-me e mostrar-me que nada era certo, que nada era permanente, que nada era certo e nem seguro, que nada existiria para sempre - e que mais valia ser eu a definir o tempo das coisas que deixar a vida decidir por mim e me pegar desprevenida. E esta, sou eu.

Como quando sinto-me ameaçada, o impulso feroz de reagir e chegar-me à frente, logo vejo depois se era uma pedra ou um dragão, e quais pedaços de mim perco ou salvo.

Busquei desculpas e justificações, busquei ilusões e sonhos - qualquer coisa capaz de me dar a força e a coragem para ser eu a definir o tempo das coisas e não esperar que acabassem 'de surpresa'.

E fui embora. Dos pedaços que tentei recolher quando já não éramos mais todos, e já não havia mais barco, catei-os, juntei-os, abracei-os, e despedi-me deles.

De forma feroz, decidida e obstinada. De forma resoluta. E fui embora.

Levei tempo até sentir-me capaz de fazer amigos, de abrir a porta, de conhecer pessoas. Se existe solidão, foi aquela. E foi boa, foi constante, foi companheira. Foi necessária.

Eu estava tão perdida, que qualquer lugar servia, qualquer circunstância cabia, qualquer possibilidade era possível. Eu cresci, eu cavei-me e eu descobri-me.

Chamo àquele tempo de Lisboa. Minha Lisboa. Ninguém a viu ou sentiu com os mesmos olhos e sentidos que eu. Eu só tinha ela.

Depois, mais um engano. Uma tentativa frustrada de resolver o insolúvel, de tapar o sol com a peneira, de "fechar" os assuntos. Brasil. Por pouco tempo, mas Brasil. Pouco menos de um ano acho, mas o suficiente para me perceber a morrer. Eu já não cabia ali. Eu já não estava ali. Eu já não era mais aquele eu.

E então... Silves. Sonho. Que palavra descreve melhor? Sonho. Foi isso que foi. E foi bom, foi bonito, foi gostoso de sonhar. Mas é tudo e é só o que foi: sonho.

De Silves, Albufeira. Pela primeira vez, com meus próprios pés nos sentidos todos. Emocional, mental, social, financeiro, qual seja. Meus pés e mais nada. Nenhum lugar conhecido ou com conhecidos, sem certezas e sem recursos, Albufeira. E alí, morri e renasci.

Uma casinha qualquer, um trabalho qualquer. 12, 14 horas sob o sol. De pé. Parada. Sobreviví.

E pela primeira vez, uma porta se abriu. Não, não foi uma porta - foi uma janelinha. Da cozinha. E pela primeira vez, meus olhos mergulharam no mais azul dos mares e busquei um porto, um abrigo, uma casinha. Minha casinha. Que você foi, por tantos anos. Não sei se alguma vez te agradeci... Obrigada.

Mas... as casinhas perdem seus tetos nos grandes vendavais, e nós nos perdemos. Éramos incríveis... e nos perdemos. Eu sinto muito, de verdade... Desculpe.

Depois... fui eu. Eu e eu. E pedaços... pedacinhos de tudo, de todos. E eu. E uma solidão diferente... calma, contida, 'sociável' e produtiva na sociedade. Mas, solidão. Sempre disfarcei bem, acho.

Espanha. Risos soltos e gargalhadas. Caos. Conflito. Mágoa.

Portimão. O agora. A porta entreaberta, os pés meio firmes, meio duvidosos. Mas a porta entreaberta. E espreitas. E estás aqui. E meu Desassossego acorda, pergunta-me: porquê?

Desassossego. E consciência...

Talvez por isso, tenho me percebido a pensar que posso estar a procura de uma vida que passou há muito, muito, muito tempo...

 Uma vida em que a casa era cheia, a porta nunca estava trancada e estávamos todos juntos no mesmo barco, éramos uma família.








26 de jun. de 2024

Que eu me lembre das Gaivotas


Que eu nunca me esqueça das gaivotas.

Não sou uma pessoa tão humilde como eu gostaria e detesto a arrogância em mim que se crê melhor e mais capaz, ou que se coloca sem perceber, em uma postura soberba.

Tenho defeitos à mais, sem dúvida. Mas ao menos não sou de pedir muito, ou de me colocar como vítima ou de fazer grandes demandas. Acho que não.

Mas de todas as coisas que posso pedir para mim, de forma egoísta e sincera, a que mais suplico é para que eu não me esqueça das Gaivotas.

Das coisas realmente importantes (onde estão?), dos verdadeiros atos de amor (que admiro e respeito), e de que o "longe é um lugar que não existe".

Que eu não me esqueça da capacidade de sonhar, e de voar. Que eu não me esqueça ser capaz de amar, que eu não me esqueça capaz de partilhar, que eu não me esqueça como pessoa, e como mulher.

Que sempre eu seja capaz de fechar os olhos e de seguir, e de ser gentil e de falar em amor. E sorrir.

E continuar.

24 de jun. de 2024

Piedade


Da primeira vez que vi, atirei-me. Não pensei se estava frio, se eu não ia ter roupa depois para trocar, se eu conseguiria sair depois.

Lugares impactantes assim, que me provocaram reações únicas e instantâneas, só conheci 2: Sintra e a Ponta da Piedade.

Eu nunca compreendi Sintra, só sinto. E na Ponta da Piedade... eu naufrago. Como no dia em que desci pela primeira vez os seus degraus, e nem sequer pensei que teria que os subir depois. Naufrago... a descer os seus degraus e a me deparar com a imensidão azul recordada pelas rochas douradas.

Naufrago dentro dos meus sentimentos, perco-me no frio da água salgada que gélida, tornou-se silêncio.

Silêncio...

Há palavras que consigam gritar mais alto do que o silêncio?

Eu olho, procuro, espero... naufrago.

Rudolph


Quando escrevi a primeira parte do livro, o Rudolph apareceu sem ter sido pensado antes, ele apenas "apareceu".

Apareceu quando no livro, o caminho havia se tornado demasiado incerto e indefinido, e o peso de um nada gigantesco pairava à frente. E então, "do nada", o Rudolph apareceu, para mostrar a direção.

Não pude deixar de sorrir quando triste, eu o vi hoje. Um Rudolph real, em pele, osso, pulgas e pêlos, que me olhou com os olhos de mel mais cheios de luz que eu alguma vez já vi, e ao me ver sorrir, levantou-se e veio atrás de mim. Atravessou a primeira rua ao meu lado, depois a segunda. Passou comigo pelo portão, entrou junto comigo no trabalho. E está agora aqui, deitado junto à secretária, não quis água nem comida, só se deixar estar.

Meu coração agradece esse deixar-se estar dele. Aqui, em silêncio, tranquilo. Me conforta, apazigua, mostra que talvez, quem sabe, eu esteja onde realmente devo estar, apesar do coração pesado e meio sem rumo.

As coisas mais pequenas, mais simples, são as mais difíceis e ainda assim, são e serão sempre as mais importantes.

Obrigada Rudolph!

8 de jun. de 2024

A matéria dos sonhos que eu não ouso sonhar

 


A matéria dos sonhos que eu não ouso sonhar é feita de medo, daquele medo que nos custa identificar e reconhecer, que se esconde atrás dos nossos pensamentos mais íntimos e custamos a perceber.

A matéria dos sonhos que eu não ouso sonhar é imensa, tão grande quanto o próprio tempo e espaço e ocupa sem esforço o tamanho do infinito, embora seja tão simples e delicada que confunde-se com o que chamam de rotina e de comum para olhos menos atentos.

A matéria dos sonhos que eu não ouso sonhar compõe-se de várias partículas que dançam em perfeita sincronia – e que nunca se confunda sincronia com ausência de turbulência ou de obstáculo, porque a perfeição é feita de imperfeições síncronas.

A matéria dos sonhos que eu não ouso sonhar foi deixada de lado, feito sombras de fantasmas que se cansaram de assombrar, e fizeram morada no silêncio de um passado já demasiado distante para lembrar.

A matéria dos sonhos que eu não ouso sonhar foi impressa em mim na multiplicação celular que enquanto embrião, um dia eu fui e traduz-se no meu próprio ADN.

A matéria dos sonhos que eu não ouso sonhar estava esquecida, precisei um dia atropelar. E vem, pouco a pouco, querer se fazer lembrar.

E lembro-me então… de mim. De correr no pátio da escola de lancheira na mão, de estar sentada em círculo a brincar de lenço atrás, de subir nas árvores e de caçar formigas. Do tapete de bamboo e das massinhas de modelar (plasticina) que deixavam tinta na mão. Das festas juninas e das lições de história e geografia. E salto… dos 4, 5, até os 10, 11 anos. E estremeço com os fantasmas que acordam e se assustam, porque desaprenderam a sonhar.

A matéria dos sonhos que eu não ouso sonhar aparece-me à frente, sacode-me e atira-me ao ar, levanta-me os pés e não sussurra, mas fala, de forma nítida, decidida e clara com toda a certeza da voz mais definida que já se fez algum dia ouvir e me diz: "a matéria dos sonhos que eu não ouso sonhar… é feita de ti".


12 de mar. de 2024

Dois Lados

"Dois Lados

Ando por essa ponte, tão alta e tão estreita que balança para a direita, balança para a esquerda, estremece, ameaça mas não cai nem tão pouco se equilibra.

Essa ponte que me divide, que me corta e me separa pelo meio. Uma metade terra, a outra metade ar. Uma metade terrena, a outra metade luz. E o coração por inteiro em cada uma das metades.

O amor do espírito e o amor da luz. E não, não me digam que se trata do mesmo amor. Pois não é. Não é e nem é ao menos parecido. São mais opostos do que semelhantes.

Em comum muitas coisas, desde que não se trate de escolhas – apenas de sentimento.

Pois em comum está o desejo do bem, a intenção de saber o coração amado, feliz. E apenas isso, pois de resto se conflitam, se atormentam. O amor do espírito gosta da proximidade, do abrigo, do conforto na alma. O amor da luz não vê distância, nem sequer se importa com a existência ou ausência de tempo e espaço. Nem mesmo considera essas coisas – elas não existem. O amor do espírito busca, procura crescer, amadurecer, auxiliar. É ativo e entusiasta. O amor da luz é passivo, transcende por osmose, é como a luz refletida por um lago – o movimento pode ou não existir nas águas, a luminosidade não se altera.

E essa ponte, essa trilha é estreita, é de extremos, é incerta. Não há desvio errado ou ruim, não há escolha mal feita. Mas há escolha.

E as escolhas envolvem ganhos, envolvem perdas. E envolve amor. Tudo envolve amor.
Qual é o amor mais forte? Qual é o amor mais certo?

Mas há talvez o amor mais desapegado, o mais calmo, o mais humilde. O amor da compreensão e abnegação, o amor imutável, inatingível, a chama que arde para sempre.
Talvez nem seja nada disso. Talvez não existam diferentes amores, talvez a única coisa que os diferencie seja o foco – e o sentimento seja o mesmo.

Pode sim haver o foco talvez no espírito, talvez na luz, talvez num anseio ou em um desejo. Mas quem sabe sejam apenas os focos...

Focar em uma paixão, focar em um trabalho, em uma ambição... o foco, embora o sentimento seja o mesmo. O puro, o poderoso amor.

E nossas histórias, nossas experiências, nossos medos e nossas dores sejam a lente de nossos focos. E não poderão haver focos errados, mas sim em seu lugar mágoas profundas... como alterar a lente para obter diferente imagem? A imagem não muda... mudam os nossos olhos.

E então, no fundo de tudo, o amor. Pura e unicamente o amor. O amor que desfocado causa as guerras, as ofensas, as injúrias. As traições, as violências, as torturas. Tudo apenas amor. Amor para defender a ferida inflamada, para proteger as esperanças dilaceradas e as perdas ao menos suportáveis. As eternas procuras por justificativas, desculpas para agir conforme o foco do nosso amor...

E assim minha ponte desaba, não oscila, experimenta balançar de forma mais lenta e contida, experimentando o ligeiro movimento. Estremece e para, avaliando se afinal deixaram de existir as metades esquerda e direita. Parece que fundiram-se, encontraram a forma de as unir.

Podemos nos tornar caleidoscópios, cristais... reflexos de um único sentimento capaz de transbordar em todas as direções."

12/03/2014

11 de mar. de 2024

Bocadinho


Vamos então nos sentar aqui por um instante,

E deixar que este instante dure por ano.


Deixar para trás por um tempo as nossas incertezas

Deixar para trás por um tempo as nossas histórias.


Aqui, sentados, és tudo, és meu amante,

És as certezas sem qualquer chance de engano.

E tudo bem, ser for apenas por este instante.


Vamos nos sentar aqui por um tempinho,

Deixa que o tempo passe até sermos velhos,

Quem sabe, se neste pequeno bocadinho

É que se realizam os grandes mistérios.


Vamos aproveitar, ouvir o mar e sentir o vento

Abraçar a vida, viver o momento.


Vem, sentemos aqui por um instante...

E deixemos que instante dure por todo tempo.


Vamos nos sentar aqui um bocadinho...


...

6 de mar. de 2024

Altos e baixos, ir e vir, assim ou assado?

Talvez eu queira tanto ver (ou ser, ou estar) alí à frente, que atropelo até (e inclusive) a mim mesma. E o que eu realmente penso, e o que eu realmente sinto. Por querer estar ali à frente.

Então eu vou, corro com os braços estendidos para a frente para agarrar tudo, sem olhar se calcei os sapatos, ou se estou a correr pelo chão ou sobre brasas acesas. Ou espinhos. Ou cacos de vidro. Eu apenas vou.

E depois, por algum milagre ou generosidade ou alguma condescendência do Universo qualquer, uma pequena pausa acontece, ligeira. Mas, suficiente para me permitir olhar. E aí não sei se me zango por ter visto, ou se agradeço pela oportunidade de ver.

Será que eu sinto realmente que quero ir, ou apenas vou? Será que eu quero realmente agarrar o que quer que seja, ou apenas agarro? Talvez ali à frente não seja bem lá exactamente onde eu queria estar... A ilusão de estar ali parecia tão mais interessante do que a real possibilidade de lá estar...

Mas então, e agora? Diminuo o ritmo devagar até parar por completo, o meu olhar fixo e embasbacado, a minha boca ligeiramente aberta em surpresa, feito idiota, a olhar para mim mesma e para os meus braços tontos e ainda estendidos à minha frente tentando agora disfarçar nem sei como (espalmo as mãos? finjo acenar um adeus?), os meus pés descalços e a minha vergonha e constrangimento espalhados pelo ar e pela minha face vermelha...

Mas então, realmente, paro. E tento encarar a verdade das minhas voltas mentais e inconstâncias. Serão realmente minhas? Ou são os meus medos a falar e a gritar tão alto, que embotam os meus sentidos? O querer ir não será o medo de estar parada a falar mais alto? O parar o passo, o disfarçar do movimento, não será o meu medo de cair a me sussurrar?

Quando já sei que parar é como morrer, que o estacionar é a antítese da vida e do crescimento, não é natural que eu estenda os braços para ir, seja onde para onde for, ainda que eu vá a correr contra um muro ou uma parede?

Quando já sei que caminhar ou correr implica inevitáveis tropeços e prováveis quedas, que qualquer movimento significa sempre e sem exceções possíveis obstáculos e ossos pqartidos, não é natural que venha algum medo me sussurrar aos ouvidos?

Medos não são um problema, só o são quando deixamos que falem mais alto.

Porque o movimento é sim necessário, embora não seja preciso correr sem joelheiras e nem capacete de encontro ao asfalto. Se não existem as joelheiras e o capacete, é ainda preferível o tombo à inércia. Não há evolução nem crescimento possível naquilo que não se move, que não arrisca, que não vive.