12 de ago. de 2024

Mistérios

Não me lembro como começou, e nem porquê. Só sei que desde muito pequena, sempre achei injustos os contos de fadas, desinteressantes as histórias românticas, fantasias os finais felizes.

Gostava muito mais dos filmes e dos livros de terror. Enxergava monstros nas sombras do armário na parede, mantinha as janelas abertas para esperar um morcego entrar. E às vezes, inclusive chamava por eles - nunca nenhum entrou (só no seu apartamento em São Joaquim, não é, pai?).

Hoje, penso que na verdade o que eu sempre busquei foi o sentir. Sentir realmente, com todos os meus poros e células do corpo. É demasiado fácil o sentir "foram felizes para sempre", demasiado fácil e demasiado morno demais. Onde estão os desafios, a superação, o crescimento? Onde está o descobrir-se e fazer-se melhor e mais forte? Como assim, a história acaba no "felizes para sempre"??? É aí, justamente aí, que a história deveria começar!

No fazer-se feliz para sempre, independentemente e apesar de todas as dificuldades, obstáculos, desafios! É aí que quando damos o passo e avançamos, o feliz para sempre transforma-se em júbilo, em êxtase! E essa parte, a mais importante, encontra-se mais facilmente em um filme ou livro de terror que em um romance ou comédia romântica.

E é ao êxtase que quero chegar. À plenitude, ao melhor de mim mesma, ao expoente máximo dentro das minhas humanas limitações. Eu não quero ser feliz para sempre! Eu quero a vida, quero merecer e conquistar cada gargalhada que eu der, cada vitória, cada conquista.

É incrível como o tempo nos vai mostrando que atrás de camadas de verdades nossas que vamos descobrindo, outras mais profundas e cheias de significado vamos encontrando.

Quero viver e ser como um instrumento de inspiração, para tudo que é de bem e é real, ambas as coisas, em uníssono.

E claro, quero gargalhar pelo percurso. E perder o fôlego, e extasiar! E... quero ser feliz. Não para sempre, porque o para sempre não é à nós que pertence, mas por todo e qualquer instante que seja possível pelo infinito dos instantes que durar.

(E sim, todos os bons instantes são infinitos).

12/08/24

21 de jul. de 2024

Assertividade

Nem sempre é fácil sermos assertivos quando não somos capazes de ver o quadro por inteiro, com clareza e lucidez.

Há imensas situações que nos podem turvar a vista, principalmente quando temos desejos e expectativas à mistura.

Entretanto, quando somos capazes de nos colocar de parte de nossas próprias vontades, idealizações e esperanças, conseguimos ver. E agir conforme a realidade é, e não como gostaríamos que fosse.

Não há nenhum facto que mude as atitudes de uma pessoa, a não ser que seja a própria pessoa a mudar. Não há nenhuma condição, por mais temporária que seja, que altere a personalidade seja de quem for.

Ter a capacidade de reconhecer os factos é a forma de nos permitirmos ter alguma assertividade sobre o que há, e não sobre o que gostaríamos que houvesse.

Quanto mais clareza tivermos, mais difícil será nos entregarmos aos nossos sonhos, mas mais coerentes seremos com a verdade que nos rodeia.

Quando buscamos o caminho da clareza e a verdade, não estamos livres de nos ver ceder às nossas expectativas, e nos vermos com algumas repetições a apostar em nossos desejos e expectativas, mas a cada curva há de ser menos penoso o retorno ao real em detrimento às ilusões. A prática há de facilitar o processo, a experiência há de nos fortalecer, e o coração... este há de encontrar o consolo da verdade de nós mesmos ao invés da realidade que tentamos ver nos outros.

17 de jul. de 2024

Swiss


Existe um lugar onde o verde da relva é mais verde, onde o azul dos rios e lagos é mais azul, e onde o ar é mais ar.

Um lugar onde a natureza pode descansar mais tranquila, mais sossegada, e se mostrar mais viva.

Existe um lugar que é mais lugar que outros lugares, e não é só uma questão de paisagens. É também uma questão de pessoas, de família, de afetos.

A Suíça seria menos Suíça se não fosse por vocês, e eu seria menos eu também. Do mesmo jeito que a natureza encontra aqui algum refúgio e sustentabilidade, eu encontrei, mais uma vez, descanso e as energias gratas, renovadas, felizes.

Mais do que a grama verdinha e cheirosa, os seus risos e partilhas, suas rotinas e conquistas, disponibilidades e carinho têm aquela força de nos equilibrar por osmose e devolver o mesmo brilho que se vê na relva verdinha, no azul translúcido, no ar fresco e limpo.

Agradecer só por estes dias seria diminuir o tamanho da gratidão que sinto, que é não só por estes dias mas por vocês serem quem e como são, pelas risadas gostosas, abraços carinhosos, brincadeiras, delícias, momentos, conversas e experiências.

Peter, Pê, Dani, Ni, obrigada! O tamanho do amor, da admiração e do orgulho que sinto por vocês é gigante.

Obrigada ❤️