Quando foi que parou de chover?
Quando foi que o sol apareceu?
Quando foi que as coisas tornaram-se tão leves, tão doces?
... E a pobre menina não viu. Não percebeu o dia lindo que fazia lá fora, não percebeu o cantar dos passarinhos em sua janela ao amanhecer. Porque a menina havia acostumado-se com aquele mundo, com a situação, fosse boa ou má, havia aprendido que devia conformar-se e aprender a aceitar fracassos.
Quando foi que tantas flores nasceram no jardim a perfumar todo o ar a volta?
Pobre menininha, que tanto demorou a ver.
Sorte e feliz menininha, que pelo menos, ainda que tarde, começou a enxergar.
E agora, manhã após manhã, abre a janela para abraçar o mundo com um sorriso, porque o mundo tornou-se leve, sem peso nenhum.
Porquê: Eu sou uma alma livre presa em um corpo, mas não limitada por ele.
30 de set. de 2010
Freedom
It is very easy to talk about what you want. What we want, what is expected. But there is greater freedom in not wanting. In not wait. In not need. Everybody wants something, wait for something, seek or search for something. When you find in yourself the certainty that things, whether they can be better or not, are fine as they are, you become free. Becomes owner of your own life, and learn how to accept, to simply be.
Everything becomes a gift, or simply a problem that sooner or later will pass. You are not the time you are living. The moment will pass - you don't. You can change, learn, hit, miss.
You can laugh or cry. Another day will come, and will be another day.
More than the situation you live, you're the sum of the choices you make.
If you choose to just be instead of trying to be a necessity, a desire, fear or uncertainty, you're free.
And you became you, and not what you live.
Everything becomes a gift, or simply a problem that sooner or later will pass. You are not the time you are living. The moment will pass - you don't. You can change, learn, hit, miss.
You can laugh or cry. Another day will come, and will be another day.
More than the situation you live, you're the sum of the choices you make.
If you choose to just be instead of trying to be a necessity, a desire, fear or uncertainty, you're free.
And you became you, and not what you live.
We can't have everything
I admire people who can have an ordinary life, surrounded by rules and good behavior. I admire people who do not bring unrest in his soul. I admire those who do not challenge, does not transpose their limits and not try to be more than they are. Maybe life is not try to be more or better than we are, maybe life is accepting of our limitations and be lots more humble. We cannot have all. We are not infallible, invincible. I admire those who simply accept this. I admire those who recognize their weaknesses and accept them without being compelled to overcome them. I admire people. All of them. In his acceptance and concerns in their defeats and defections. I wanted to be like them. Did not want to feel the need to overcome obstacles and be more than I am. I admire people who find peace in the routine, people who don't need to create challenges.
But I don’t believe this is for everyone. Some people, like me, feel the need to be more, better, are bound to certain behaviors and attitudes that are not always understandable. It is easier to accept the rules established. Accept what is done than to create their own rules, establish its own principles. There is a cost, a price to be paid for it, I don’t realize the full benefit yet. But principles are principles, not choices. They are what they are, and we recognize our own principles is only one path to follow. So I close my eyes, breathe deep, I try to fill me with courage and confidence in myself and in my ability, and give a step forward. What comes next, we'll see.
But I don’t believe this is for everyone. Some people, like me, feel the need to be more, better, are bound to certain behaviors and attitudes that are not always understandable. It is easier to accept the rules established. Accept what is done than to create their own rules, establish its own principles. There is a cost, a price to be paid for it, I don’t realize the full benefit yet. But principles are principles, not choices. They are what they are, and we recognize our own principles is only one path to follow. So I close my eyes, breathe deep, I try to fill me with courage and confidence in myself and in my ability, and give a step forward. What comes next, we'll see.
Calar
Vai, entre rostos e entre palavras não ditas e desassossegos procurar pela passividade. Passividade que não há, pois não há nenhuma no seu coração que se aflige, que busca, que não encontra e que não sabe o que procura. Vai, entre sorrisos e prantos, preencher seus dias, sua vida. Na caixinha de memórias dentro da mente, peças soltas, perdidas, esquecidas. Momentos que não voltam, a procura por uma calma que não vem. E como poderia? Não há calma na busca, para isso deve-se parar de buscar. Mas a busca é em si um vício, uma adrenalina que não passa. Pude ver o futuro em um relance, pude enxergar as pessoas daqui a 10, 20 anos. E foi uma visão tão triste... Uma procura que não tem paz, um círculo que não se rompe, o cão que corre atrás da própria cauda sem se dar conta que ela lhe pertence. Pode ser que as coisas mudem, mas o mais provável é que não. E assim são as coisas, assim é a vida. Um capítulo que precisa ser encerrado, para que se possa novamente começar a viver. As coisas deixam de ter porquê, deixam de valer a pena. Alfinetes enfiados fundo demais, sangue já seco. É preciso água para limpar, é preciso ar para se respirar. Nem tudo o que se procura se encontra, nem tudo o que se quer se alcança, nem tudo tem lógica ou sentido. É apenas uma vida, a escolha vai de cada um pelo que buscar. Em meu mundo, já não tenho mais pelo que procurar. Vi os resultados, conheço os esforços, e tristemente, reconheço que pode simplesmente, não valer a pena. Enganei-me. Do alto da minha vontade de tudo saber, enganei-me. Quando acreditamos poder demais, sermos fortes demais, o tombo é sempre maior. Joelhos ralados, feridas abertas, é tempo de cicatrizar, de calar, de não correr atrás de galinhas, de deixar a vida acontecer. Em meu mundo, meu pequeno universo particular, me contenho, paro, olho, escuto. Sim, é tempo de calar, é tempo de deixar a vida ser o que tiver que ser. E como sempre, ou como nunca, mais uma vez ainda é possível dizer... tudo bem.
Teatro
Uma mistura de pato e o sabor doce e amargo do experimentar. Cansada de Nietzsche, Blake e Tolstoi. Livros demais, filosofias e reflexões demais. A vontade de andar de pés descalços e dançar na chuva, o grito que ficou preso na garganta, as coisas não ditas... Ah, as coisas não ditas...
A raiva contida, as expressões jogadas para dentro sem a emissão de um som, a inconformidade. A esperança num olhar de compreensão de uma mãe ausente (foi sonho? foi pesadelo? ou apenas o filme que vi na TV?). O desinteresse fingido de um pai (foi sonho? foi pesadelo? ou apenas o filme que vi na TV?), e a loucura que bate na porta. Um meio irmão que se afoga, a briga e a discórdia enquanto no alto a alma passeia alheia. Uma mistura de vinho caro e fumaça na boca, as cenas de um teatro fantasma repleto de subjetividade e terror.
Nietzsche nos ouvidos em conversas imaginárias com Shakespeare. Beethoven ou Bach ao fundo?
Filosofias demais, curvas e mais curvas no teatro dos moribundos. Zumbis perdidos que deixam de procurar por cérebros para apreender corações. A vontade de gritar os desaforos guardados, a mão sempre contida e aquele olhar de mãe que poderia dizer qualquer coisa, por que afinal a mensagem seria para mim, se nem a mãe era minha?
O gosto de pato, o cacau ainda quente na boca e os olhos perdidos que já não vêem nenhuma direção.
Não me venham com conversas moles e de falsa intelectualidade, de frases decoradas e textos repetidos. Falta de originalidade, de libertação.
Influências de toda gente em toda gente, falta autenticidade. Uma montoeira de carências e frustrações, os passos nas ruas e a solidão dos olhares. Não haverá um olhar como aquele, jamais haverá tanta solidão num brilho de olhar como aquele.
A escuridão absoluta e o profundo de uma alma que não se deixa conhecer, carregada demais de coisas que não são autênticas ou próprias, o cansaço em se buscar. As palavras não ditas, o confronto... confronto de monstros e titãs, de deuses e demônios, não sobrará sequer pedra no chão.
Eu queria me fazer ouvir, eu queria não calar. Calo, calo, silencio e deixo a hora passar.
As perguntas que ficarão sem respostas, quebram-se as correntes, soltam-se as amarras... que diferença e que sentido tem em se libertar um escravo que conhece apenas a escravidão?
A raiva contida, as expressões jogadas para dentro sem a emissão de um som, a inconformidade. A esperança num olhar de compreensão de uma mãe ausente (foi sonho? foi pesadelo? ou apenas o filme que vi na TV?). O desinteresse fingido de um pai (foi sonho? foi pesadelo? ou apenas o filme que vi na TV?), e a loucura que bate na porta. Um meio irmão que se afoga, a briga e a discórdia enquanto no alto a alma passeia alheia. Uma mistura de vinho caro e fumaça na boca, as cenas de um teatro fantasma repleto de subjetividade e terror.
Nietzsche nos ouvidos em conversas imaginárias com Shakespeare. Beethoven ou Bach ao fundo?
Filosofias demais, curvas e mais curvas no teatro dos moribundos. Zumbis perdidos que deixam de procurar por cérebros para apreender corações. A vontade de gritar os desaforos guardados, a mão sempre contida e aquele olhar de mãe que poderia dizer qualquer coisa, por que afinal a mensagem seria para mim, se nem a mãe era minha?
O gosto de pato, o cacau ainda quente na boca e os olhos perdidos que já não vêem nenhuma direção.
Não me venham com conversas moles e de falsa intelectualidade, de frases decoradas e textos repetidos. Falta de originalidade, de libertação.
Influências de toda gente em toda gente, falta autenticidade. Uma montoeira de carências e frustrações, os passos nas ruas e a solidão dos olhares. Não haverá um olhar como aquele, jamais haverá tanta solidão num brilho de olhar como aquele.
A escuridão absoluta e o profundo de uma alma que não se deixa conhecer, carregada demais de coisas que não são autênticas ou próprias, o cansaço em se buscar. As palavras não ditas, o confronto... confronto de monstros e titãs, de deuses e demônios, não sobrará sequer pedra no chão.
Eu queria me fazer ouvir, eu queria não calar. Calo, calo, silencio e deixo a hora passar.
As perguntas que ficarão sem respostas, quebram-se as correntes, soltam-se as amarras... que diferença e que sentido tem em se libertar um escravo que conhece apenas a escravidão?
Funeral
Ela abriu os olhos e viu que ventava lá fora, que o som que ouvia eram as janelas de madeira a bater e que o tempo lá fora já era outro, havia mudado enquanto ela dormia. E ela não teve vontade para levantar.
Em algum lugar, ela sabia, alguém se recolhia em dor, alguém ria, alguém chorava. Alguém tentava acreditar, alguém se iludia, alguém sonhava, alguém desistia. E ela não teve vontade de levantar.
O que ela era, sua história, seu sangue e sua vida batiam à porta, mas ela não queria mais se levantar.
Não era bom, não era ruim, não era dúvida ou certeza, simplesmente não era nada. Não havia saudade, vontade, não havia tempo, razão ou pesar. Ela já havia rido, chorado, já havia desistido e lutado. Já havia tentado. Não era tristeza, isso ela conhecia. Não era felicidade, isso já não existia. Ela só não queria mais se levantar.
Houveram dias bons, dias ruins. Houve vida e houve morte. Azar e sorte. O que ela procurava, sabia que não ia encontrar. Ela viveu. Como pôde e como quis, como soube e como conseguiu. As janelas de madeira batiam, ventava lá fora. E ela não se levantou.
Passaram-se horas, quase um dia inteiro, e então a porta se abriu num rompante. As janelas já não batiam, não havia vento algum. O ar estava parado, o silêncio alucinante. Naquele quarto já não mais batia coração algum.
E seguiu-se a agitação, a dúvida e o não saber como agir. Telefonemas, sussurros, o que fazer? Um cadáver no chão, uma vida que se viu esvair. Mas quem podia o último suspiro deter?
Aqui e mais além um lamento, uma indagação. Mas sobre sentimento, apenas ilusão.
Ela de cima a tudo assistia, e em desespero perguntava: “Ninguém se lembra do que eu dizia?”. Ela antes já sabia, e de seu jeito propagava “antes a verdade que uma vida vazia”.
Sua vontade era a de sacudir seus corpos ainda vivos porem inertes, de gritar e chamar-lhes a atenção. “O que ainda esperam com seus tolos flertes, com uma vida de ilusão?” “Não há amor que dure pela eternidade, não existe nem mesmo eterno sofrer, nem tão pouco a sonhada felicidade, existe apenas aquilo que se escolher”. “Acordem, suas tolas crianças perdidas, ninguém aqui neste enterro chora por mim. Suas almas estão de vocês escondidas, não se reconhecem a si mesmos e pensam conhecer o que é fim”. “Há época para sonhar, mas a vida é para crescer. Existe a hora de despertar, de lutar para vencer”.
Naquele enterro sem defunto, quem falava era silêncio e solidão. Cada qual sem ter assunto, só em si mesmo centrado e sem qualquer compreensão.
De nada valeu aquela vida ou morte, como ela assim pretendia. Cada qual só enxerga a própria sorte, ninguém percebeu o que de fato ali perdia.
“Vim para ser uma inspiração”, ela falava. Mas cada qual com sua solidão, não escutava. Seguiram-se os dias e os anos passaram, as almas permaneceram vazias, as pessoas se acomodaram.
E assim entre caminhantes e caminhos, entre anjos e demônios de astral, haviam amantes e carinhos que se perdiam e encontravam como numa eterna espiral.
O papel que ela havia deixado, jamais foi lido ou encontrado. Onde estava escrita sua alma e sua esperança, com um vento ainda voa e em silêncio de papel, dança.
Em algum lugar, ela sabia, alguém se recolhia em dor, alguém ria, alguém chorava. Alguém tentava acreditar, alguém se iludia, alguém sonhava, alguém desistia. E ela não teve vontade de levantar.
O que ela era, sua história, seu sangue e sua vida batiam à porta, mas ela não queria mais se levantar.
Não era bom, não era ruim, não era dúvida ou certeza, simplesmente não era nada. Não havia saudade, vontade, não havia tempo, razão ou pesar. Ela já havia rido, chorado, já havia desistido e lutado. Já havia tentado. Não era tristeza, isso ela conhecia. Não era felicidade, isso já não existia. Ela só não queria mais se levantar.
Houveram dias bons, dias ruins. Houve vida e houve morte. Azar e sorte. O que ela procurava, sabia que não ia encontrar. Ela viveu. Como pôde e como quis, como soube e como conseguiu. As janelas de madeira batiam, ventava lá fora. E ela não se levantou.
Passaram-se horas, quase um dia inteiro, e então a porta se abriu num rompante. As janelas já não batiam, não havia vento algum. O ar estava parado, o silêncio alucinante. Naquele quarto já não mais batia coração algum.
E seguiu-se a agitação, a dúvida e o não saber como agir. Telefonemas, sussurros, o que fazer? Um cadáver no chão, uma vida que se viu esvair. Mas quem podia o último suspiro deter?
Aqui e mais além um lamento, uma indagação. Mas sobre sentimento, apenas ilusão.
Ela de cima a tudo assistia, e em desespero perguntava: “Ninguém se lembra do que eu dizia?”. Ela antes já sabia, e de seu jeito propagava “antes a verdade que uma vida vazia”.
Sua vontade era a de sacudir seus corpos ainda vivos porem inertes, de gritar e chamar-lhes a atenção. “O que ainda esperam com seus tolos flertes, com uma vida de ilusão?” “Não há amor que dure pela eternidade, não existe nem mesmo eterno sofrer, nem tão pouco a sonhada felicidade, existe apenas aquilo que se escolher”. “Acordem, suas tolas crianças perdidas, ninguém aqui neste enterro chora por mim. Suas almas estão de vocês escondidas, não se reconhecem a si mesmos e pensam conhecer o que é fim”. “Há época para sonhar, mas a vida é para crescer. Existe a hora de despertar, de lutar para vencer”.
Naquele enterro sem defunto, quem falava era silêncio e solidão. Cada qual sem ter assunto, só em si mesmo centrado e sem qualquer compreensão.
De nada valeu aquela vida ou morte, como ela assim pretendia. Cada qual só enxerga a própria sorte, ninguém percebeu o que de fato ali perdia.
“Vim para ser uma inspiração”, ela falava. Mas cada qual com sua solidão, não escutava. Seguiram-se os dias e os anos passaram, as almas permaneceram vazias, as pessoas se acomodaram.
E assim entre caminhantes e caminhos, entre anjos e demônios de astral, haviam amantes e carinhos que se perdiam e encontravam como numa eterna espiral.
O papel que ela havia deixado, jamais foi lido ou encontrado. Onde estava escrita sua alma e sua esperança, com um vento ainda voa e em silêncio de papel, dança.
22 de abril
Um ano. E sem preparo, sem aviso, uma existência inteira dentro desse tempo. Uma pessoa no início, uma outra no fim. E depois de tanto, depois de tudo, torna-se difícil acreditar que pode haver mais. As coisas se acalmam, esfriam, encaixam e a realidade é vista sem a névoa que antes a envolvia. Havia incerteza na névoa, havia mistério, havia fascínio, expectativa e curiosidade. Surgiu a claridade, o vento varreu qualquer escuridão e a visão tornou-se nítida. A sensação é de clareza, limpeza, verdade. Mas podendo enxergar a paisagem toda, torna-se difícil acreditar que algo não está sendo visto, não se vê mistério, não existe dúvida nem o oculto. Tudo límpido. Como então, simplesmente, acreditar? Preto e branco. Falta-me cor.
(Lisboa, 22 de abril de 2010. - O que significava para a pessoa de antes escrever essa simples data? O que significaria a um ano atrás? Seis meses atrás? Dois? O que significa hoje? Antes, não havia. Tornou-se depois sonho, depois impossibilidade, depois, verdade. E mais? Há mais?)
(Lisboa, 22 de abril de 2010. - O que significava para a pessoa de antes escrever essa simples data? O que significaria a um ano atrás? Seis meses atrás? Dois? O que significa hoje? Antes, não havia. Tornou-se depois sonho, depois impossibilidade, depois, verdade. E mais? Há mais?)
Transitório
Nada é imutável, a nossa percepção das coisas por si só não é constante. Desgarrar-se de amarras existentes é assustador e ao mesmo tempo libertador. Reconhecer nossas carências e dependências afetivas é dolorido e também um passo para um caminho independente e incerto, onde você passa a ser o centro de seu próprio universo e adquire a habilidade de enxergar os outros de forma mais imparcial e completa. Consegue inclusive aplicar essa habilidade sobre você mesmo, percebendo e reconhecendo anseios existentes por caprichos seja do ego seja de orgulho ou vaidade. É no entanto assustador, pois perde-se de forma inerente o interesse por coisas que digam respeito aos mesmos (ego e vaidade). Passa a ser um objetivo primordial a realização de sua própria capacidade, intelecto e consciência em detrimento de todo o resto. Torna-se existente uma barreira intransponível entre seus interesses e os interesses alheios, e mesmo seus desejos sucumbem à força de sua busca por auto-realização interior. Você deixa de fazer parte do mundo externo para habitar em sua própria consciência, e ao mesmo tempo em que tal comportamento exerce algum medo e fascínio sobre as demais pessoas, exerce uma falta de interesse e paciência de sua parte para com os outros. É como passar a viver do outro lado de um portal, onde a interação entre você e o restante passa a ser extremamente limitada. E embora princípios e valores seus passem a ser mais autênticos e independentes de conceitos alheios, pode ser que aos olhos de outros você torne-se uma pessoa fria e ausente. As coisas assumem novos lugares, as prioridades alteram-se dramaticamente, porem a vida adquire um sabor diferente, como um caminho a ser trilhado, percorrido, conhecido e percebido, e não apenas sentido ou percorrido de forma aleatória e desprovida de razão. A vida, os relacionamentos e interações entre as pessoas não precisam ser difíceis, nem fáceis. Não há necessidade de complicar ou simplificar as coisas, basta percebê-las como de fato são, e com esse cenário em mente, agir de acordo com seu próprio estado de ser.
Hipóteses
Existem coisas que simplesmente não foram feitas para serem ditas. Não que sejam mentiras ou omissões, simplesmente coisas que não se dizem, não se contam. Algumas delas teriam talvez (e provavelmente) o poder de acelerar ou até mesmo alterar o rumo das coisas. E não pode ser assim. O máximo que podemos fazer é procurar encarar como possíveis todas as alternativas. Não sabemos tudo, não podemos saber. Tanto já se disse sobre a importância de cada instante, de que amanhã podem não estar mais conosco pessoas que nos são caras e etc e tal... Mas o oposto pode também ocorrer, e podemos ser nós a não mais estarmos presentes. Pode ser que alguém que nos seja próximo, especial, simplesmente não esteja mais a nosso lado, a nosso alcance. E nos veremos subitamente tomados por arrependimentos, por perguntas de como as coisas teriam sido se tivéssemos agido de forma diferente, e a dor que vai tomar conta de nosso peito virá cheia de culpa, de remorsos. Esqueça. Esqueça mesmo. Porque não poderia simplesmente ter sido de outra forma, não haveria possibilidade de que os acontecimentos pudessem ter sido conhecidos antes, não se pode pretender alterar o curso normal que as coisas devem ter. E mesmo se houvesse uma chance de que as coisas pudessem ser sabidas antes, algumas coisas não foram feitas para serem ditas, nem mesmo percebidas. Existem escolhas, existem cursos naturais à seguir, existe uma ordem na ordem do caos. Então se existe algo que deva ser dito e que é contido em nossa garganta, é apenas uma escolha, não uma razão para amanhã tornar-se culpa o silêncio reinado. Restrição e contenção, também são escolhas. Não é preciso que haja complicação, não é preciso que se carregue nas costas o peso das coisas que escolhemos fazer ou não. Se as coisas não correram de alguma forma específica, não há verdade que possa ser maior do que as escolhas feitas, não há conhecimento absoluto sobre nada, não se pode querer controlar o mundo, o amanhã ou as pessoas. Há que se lembrar dos risos, dos momentos especiais e do que foi vivido com aquilo que se sabia, com o que se sentia, com o que se queria. Não existem monstros que habitem as escolhas depois que foram feitas, se existem monstros, eles existem apenas no instante em que fazemos nossas escolhas. Então, enquanto houver tempo, enquanto houver chance, que as escolhas sejam reflexo de nossas verdades e não de nossos temores, que as decisões sejam fruto de nosso querer e não de nosso medo de fracasso ou incapacidade. Não há razão para culpa, para arrependimento, nem para remorsos em nenhum dia que esteja por vir. Está tudo bem, está tudo certo, está tudo como deveria estar. Fazemos as nossas escolhas de acordo com aquilo que conhecemos, e se pudermos conhecer nossos próprios desejos e agir de acordo com a nossa própria verdade, nunca haverá nada à ser perdoado, modificado. Está tudo certo, tudo como deveria ser. E não haverá culpa, não poderá haver. Algumas coisas simplesmente não foram feitas para serem ditas. As coisas são como são, e são como deveriam ser. Que nunca se carregue culpa alguma, vale muito mais que qualquer coisa o saber que aconteceram justamente as coisas que naturalmente, deveriam acontecer. Nada mais. Nada menos. Sem remorsos, sem dores, sem arrependimentos. Nunca. Nada foi omitido que um dia pudesse ter sido dito. Existe o que é. Só.
Escolhas
O que nos motiva a termos as atitudes que temos? A nossa vontade simplesmente ou a preocupação que temos com aqueles a nossa volta? Pois bem... Quando agimos de acordo com nós mesmos, até onde somos capazes de ir? Se temos claro nossos princípios, nunca passaremos por cima de outro ser humano para atingirmos nossos ideais (de acordo com os princípios que tivermos). Porém, se agimos pensando no bem que podemos fazer a outra pessoa, assumimos para nós mesmos uma responsabilidade que não nos pertence. A pretensão de agirmos para o bem do próximo independente do querer desse próximo é uma armadilha para nós mesmos. Ficamos presos na crença de que temos o poder sobre as atitudes do outro em nossas mãos. É uma ilusão. Bonita, mas ainda assim uma ilusão. Não há nada que possamos efetivamente sacrificar por uma outra pessoa sem que o preço recaia sobre nós mesmos, e um preço que geralmente não julgávamos existir. Percebermos a nossa impotência quando queremos muito ajudar alguém e não podemos pode ser cruel. Mais cruel ainda se viermos a perceber que a nossa intenção era afastar de nós uma responsabilidade, e acabamos justamente sem querer, pondo as responsabilidades que não queríamos ter em nosso próprio colo. Qualquer forma de imposição é também uma forma de encarceramento, de prisão, de limitar a liberdade alheia. Não precisamos ser sós para deixar as pessoas livres para suas escolhas. Também não precisamos de amarras ou correntes com outras pessoas para sermos individuais. Percebi que muitas vezes são as atitudes que pretendem ser as mais nobres que escondem as maiores formas de insegurança, de medo. E não há ninguém que seja obrigado a encarar seus medos mais íntimos, são apenas escolhas. E nenhuma escolha nossa podemos pretender ter em nome de outra pessoa (seria presunção ou arrogância demais), se escolhemos, escolhemos por nós mesmos. Que apenas isso esteja claro, já é o bastante.
Liberdade
Eu quero a inocência que carrego no meu coração. A doce ingenuidade de acreditar na vida, nas pessoas, no amor. Quero a beleza do instante e a certeza do momento presente. Como criança, quero sentir a curiosidade doce e intensa de quem vê tudo como se fosse pela primeira vez. Se eu tropeçar e se doer, que eu sinta toda a dor que sentir, sem preocupar-me em esconder minhas lágrimas. Se eu sentir medo, que não seja nunca o medo um impedimento para mim. Quero ao meu lado as pessoas que ao meu lado quiserem estar. Que seja pelo prazer da minha companhia, jamais pela necessidade, vício ou dependência. Que não haja a necessidade de certo ou de errado, uma vez que cada um é em si mesmo um universo com verdades distintas. Quero amar as pessoas que amo, independente de obter de volta ou não algum amor. Amo porque amo, e não porque espero. Que a vida seja o que é, e que seja sem limitações, sem projeções, sem contenções ou resignações. Eu quero ser quem eu sou, nada além, nada aquém. Ao meu redor, só quero aqueles que desejem estar a minha volta. Façamos um trato, e que este perdure. Não existem obrigações, não existem imposições. Esteja quando quiser estar. Seja você quem você for, quem é. Vá quando quiser ir, fique quando quiser ficar. Que não existam jogos de egos ou vaidades, que não existam explicações ou justificativas. Se eu não puder amá-lo por quem você é e pelo que você deseja ser ou ter, eu jamais serei capaz de amar verdadeiramente. Não desejo fazer do amor que sinto uma prisão que te separe do mundo, ou um espaço para limitar seus horizontes. Desejo que meu amor seja mais como uma brisa suave, que possa impulsionar o teu vôo. E só quando você sentir-se pleno de liberdade é que estar junto de alguém será um verdadeiro querer.
Reconheço
Se hoje fosse meu último dia de vida, eu teria pouco a dizer. Não aprendi grandes coisas, apenas algumas pequeninas e que hoje são tudo que possuo. Aprendi que quando tudo é vazio e que quando só há a solidão e desespero, muitas vezes basta apenas estender as mãos que alguém, mesmo que não seja quem você espera, há de oferecer-te alguma ajuda. Aprendi que poucas são as virtudes da vida, e nenhuma é maior ou mais importante que expressar a sua verdade, seja ela qual for. As pessoas têm uma tendência natural a enganar-se e a iludir-se, portanto, não espere adivinhos a sua volta, diga o que houver para ser dito. Aprendi que às vezes, erros são necessários para a nossa própria sobrevivência, e que muitas vezes o que para muitos têm imenso valor, para outros, não possuem valor algum. Aprendi que se há alguma coisa que se carrega por toda a vida, são os laços que criamos. Não haverá quem te carregue ao colo, nem quem sofra a tua dor, por mais que alguém queira fazê-lo. Hoje, sou a união das pessoas que passaram pela minha vida, sou as ocasiões em que fui humana e assumi meus valores e princípios por mais difícil que tenha sido fazer isso. Aprendi que as lições que a vida me trouxe, servem apenas a mim, por mais que eu deseje compartilhá-las. Descobri que posso viver sem muita coisa, mas que a vida me é impossível sem saber que as pessoas que amo estão bem. Aprendi que por mais amor que eu sinta por uma pessoa, essa pessoa jamais irá conhecer o tamanho desse sentimento, e jamais irá merecê-lo, a não ser que você dê o seu amor incondicionalmente e não espere nem deseje retorno algum. Se um dia todas as minhas palavras forem levadas ao vento, e só o que restar forem as minhas atitudes, espero ter, como tenho agora, orgulho de cada uma delas, por mais dor e sofrimento que me tenham trazido.
É difícil...
É difícil. Escolher um caminho, tomar uma decisão, implica em abrir mão de outro caminho, em assumir perdas. É ainda mais difícil quando se abre mão do conhecido para optar pelo que não se conhece, pelo que não se sabe. Não há muito em quê se apoiar. Não há segurança, não há conforto. Assumo os riscos e recebo em troca apenas a coragem e o orgulho superficial de saber que estou fazendo o melhor que posso, de saber que minhas atitudes são reflexos exatos das minhas verdades. Fico sem futuro, fico sem passado, perco as referências e sobra-me apenas o instante presente para viver. Sei, e ninguém mais tem como saber, o quanto custa abrir mão da segurança e assumir a perda das ilusões e sonhos ao mesmo tempo. Pergunto-me quando estou debaixo dos lençóis e ninguém me escuta, se possuo mesmo toda essa força, se existe dentro de mim toda a coragem que gostaria de possuir. Pergunto-me revirando em minha vida e em meu passado o quanto foram raras as minhas atitudes de real coragem, olho para a criança que eu era e vejo um brilho que dificilmente um dia voltarei a possuir. Tento construir caminhos abrindo trincheiras que não sei aonde podem me levar, mas como não abri-las??? Não há nada que seja mais significativo e importante que os sentimentos e a verdade que espalhamos pela vida enquanto vivemos. Nós um dia não existiremos mais, e só teremos deixado as atitudes que tivemos para aqueles que ainda ficarem. Sei que pode não haver recompensa, mas ainda assim de minha parte, haverá a luta. Sei que pode não haver um tesouro escondido atrás da montanha, mas ainda assim, de minha parte, haverá a escalada. Sei que posso perder tudo, inclusive a mim mesma durante essa busca, mas de minha parte, ainda assim estarei buscando. Não importa se o que me movimenta é uma confiança ou fé cegas, ou se é apenas minha obtusa teimosia. Afinal... que diferença faz o que me move, se afinal estou me movendo?
Desabafo - Caminhante
Caminhante: NÃO HÁ CAMINHO! O caminho faz-se ao caminhar...
Pobre de nós, que aceitamos a realidade que nos ensinaram. Pobres das pequenas crianças que se deitam a noite para dormir com o estômago resmungando de fome e sonham com as histórias encantadas que viram nas figuras de algum livro ou com os romances das novelas. Pobre dos homens que deixam seu suor e muitas vezes seu sangue para levar a casa o sustento da família enquanto espera pelo reconhecimento através de milagre por seu esforço. Pobre das mulheres que se dedicam a família renunciando as próprias aspirações e potenciais esperando que com isso ela viva novamente através da vida dos filhos que um dia pôs no mundo. Somos todos eternas crianças, a nos deitar para dormir admirando a lua e sonhando desejos soterrados enquanto nossos estômagos reviram-se vazios. É preciso coragem para abrir os olhos, é preciso renúncia para caminhar sem levarmos às costas cargas que pertencem aos outros e não a nós. Carregamos necessidades que nos ensinaram ter, carregamos frustrações que outros tiveram por nós, carregamos cargas demais, soterramo-nos com pesos desnecessários e procuramos por atalhos para diminuir a carga quando o que falta-nos é a coragem de deitarmos ao chão as coisas que pegamos sem que de fato nos pertencessem. Abandonamos nossa essência para ignorarmos a responsabilidade de nossas próprias escolhas e medos. Apoiamo-nos em desejos camuflados e vivemos projeções de um futuro que jamais esteve sob o controle de nossa vontade, mas apenas e unicamente dependente das atitudes presentes que tomamos. Perdemo-nos de nós mesmos com extrema facilidade, enquanto buscamo-nos desesperadamente nos olhos de outra pessoa. Tornamo-nos poços de justificativas mascaradas acreditando que nossas atitudes têm o poder de modificar as pessoas a nossa volta. Não há quem possa auxiliar outra pessoa senão a própria. Não há amanhã pleno ou satisfeito se não conseguimos trazer para o hoje a plenitude em nossos espíritos. Pobre de nós, que apoiamo-nos em ilusões desejando encontrar nelas a realidade que acreditamos desejar. Pobre de nós, que ao agirmos feito cegos, ensinamos outros a fechar os olhos. Pobre de nós, que dependemos de muletas para darmos nossos próprios passos. Não há luz sem que haja escuridão, não há verdade sem que haja a mentira. Não há realidade sem que haja fantasia. A arte é o discernimento que optamos por ter ou não. Pobre de nós, que afogamo-nos no amor quando não somos capazes de senti-lo por nós mesmos. Não há o certo sem que haja o errado. Não há julgamento. Há o que somos, o que somos por baixo de nossas vestes e verdades, de nossos sonhos e ilusões, de nossas atitudes e crenças. Não há o certo, não há o justo. Há o que optamos ser. Não há caminho. Caminhante... Caminhe. Caminhante... Não existe a estrada pronta, a escolha acertada, o destino traçado. Caminhante... O caminho só se faz ao caminhá-lo.
Pobre de nós, que aceitamos a realidade que nos ensinaram. Pobres das pequenas crianças que se deitam a noite para dormir com o estômago resmungando de fome e sonham com as histórias encantadas que viram nas figuras de algum livro ou com os romances das novelas. Pobre dos homens que deixam seu suor e muitas vezes seu sangue para levar a casa o sustento da família enquanto espera pelo reconhecimento através de milagre por seu esforço. Pobre das mulheres que se dedicam a família renunciando as próprias aspirações e potenciais esperando que com isso ela viva novamente através da vida dos filhos que um dia pôs no mundo. Somos todos eternas crianças, a nos deitar para dormir admirando a lua e sonhando desejos soterrados enquanto nossos estômagos reviram-se vazios. É preciso coragem para abrir os olhos, é preciso renúncia para caminhar sem levarmos às costas cargas que pertencem aos outros e não a nós. Carregamos necessidades que nos ensinaram ter, carregamos frustrações que outros tiveram por nós, carregamos cargas demais, soterramo-nos com pesos desnecessários e procuramos por atalhos para diminuir a carga quando o que falta-nos é a coragem de deitarmos ao chão as coisas que pegamos sem que de fato nos pertencessem. Abandonamos nossa essência para ignorarmos a responsabilidade de nossas próprias escolhas e medos. Apoiamo-nos em desejos camuflados e vivemos projeções de um futuro que jamais esteve sob o controle de nossa vontade, mas apenas e unicamente dependente das atitudes presentes que tomamos. Perdemo-nos de nós mesmos com extrema facilidade, enquanto buscamo-nos desesperadamente nos olhos de outra pessoa. Tornamo-nos poços de justificativas mascaradas acreditando que nossas atitudes têm o poder de modificar as pessoas a nossa volta. Não há quem possa auxiliar outra pessoa senão a própria. Não há amanhã pleno ou satisfeito se não conseguimos trazer para o hoje a plenitude em nossos espíritos. Pobre de nós, que apoiamo-nos em ilusões desejando encontrar nelas a realidade que acreditamos desejar. Pobre de nós, que ao agirmos feito cegos, ensinamos outros a fechar os olhos. Pobre de nós, que dependemos de muletas para darmos nossos próprios passos. Não há luz sem que haja escuridão, não há verdade sem que haja a mentira. Não há realidade sem que haja fantasia. A arte é o discernimento que optamos por ter ou não. Pobre de nós, que afogamo-nos no amor quando não somos capazes de senti-lo por nós mesmos. Não há o certo sem que haja o errado. Não há julgamento. Há o que somos, o que somos por baixo de nossas vestes e verdades, de nossos sonhos e ilusões, de nossas atitudes e crenças. Não há o certo, não há o justo. Há o que optamos ser. Não há caminho. Caminhante... Caminhe. Caminhante... Não existe a estrada pronta, a escolha acertada, o destino traçado. Caminhante... O caminho só se faz ao caminhá-lo.
Minha prece (2008/9)
Olha aí, talvez alguém deva falar alguma coisa. Grande Universo sobre as nossas cabeças, será que não vês mesmo o que se passa por aqui? Olha bem, desse ângulo que só você tem, e percebe bem esses olhares cheios de desespero, de angústia, de insatisfação. Quantos, quantos, oh meu Deus, quantos corações solitários, perdidos, desesperados e sedentos por não se sabe o quê?! Pára tudo. Pára por um instante que seja. Não está vendo o quanto as cabeças andam se batendo nas paredes, dando voltas e mais voltas em círculos? Olha aí, que eu sou só mais uma cabeça a bater, mas não é só por mim que digo, não! Pois sou mais um número dentre tantos, e já pouco me importa, mesmo. Mas me importa ver tamanha dor, oh meu Deus! Cadê as estrelas que ficam ali, paradas, tão bonitinhas brilhando em seus lugares certinhos enquanto o caos e o desespero se instalam aqui? Olha lá, é natal e nem parece dezembro. Já daqui a pouco é outro ano e o mundo nem saiu ainda do antigo. Tem fome demais. Fome de tudo. Tem dor demais. Dores de todos os tipos. Tem rancor demais! Falta de amor, falta de paciência. Cada um olha só por si (e é claro que sim, porque estão doídos demais para ver qualquer outra coisa!) e ninguém percebe o resto, não se consegue olhar ao redor. Olha lá, mas por favor, olha mesmo, e pára um minutinho “se faz favor” e vê se dá pra fazer alguma coisa pelos desesperados, pelos que sofrem, pelos que choram. Pelos que se sentem sós, pelos que perderam algo que não há como repor... Acalenta esses corações, todos os corações, porque eu sei que dá. Derrama um pouco de paz nesse mundo, espalha um pouquinho só de consciência, de compaixão. Dá um pouco de colo para aqueles que precisam – e para aqueles que acham que não precisam também. Espalha um pouco da beleza da criação, faz transbordar um pouco do excesso de sentimentos bons, de esperança, de fé seja lá no que for. Olha, por favor. ... obrigada, amém.
Porto
É um cais de porto, e o navio está já prestes para ir
Serão vencidas grandes tempestades e tormentas
Alguns chegarão ao fim, outros antes disso vão partir
Todas, afinal, são almas por aventuras sedentas.
Haverá os dias de noites longas, frias e solitárias
Haverá horas de comunhão e também as cheias de aflição
Terão histórias tanto reais quanto as imaginárias
Histórias repletas de medo, de amor e de muita ambição.
É um cais de porto, e o nosso navio está pronto para partir
Para o oceano da vida, para aquele que se considerar desperto
Para quem permitir o oceano por baixo de si apenas fluir
Para aquele que puder aceitar navegar para um destino incerto.
É um cais de porto, o navio está prestes a zarpar
Obviamente haverão as esperançosas, tristes e as difíceis despedidas
Mas há todo um universo aberto para se abraçar
Mesmo que se sinta do adeus a dor, a dúvida e a tristeza desmedidas.
É um cais de porto, alguns nessa viagem irão embarcar, outros aqui irão ficar
No horizonte iluminado, o sol devagar se esconde atrás da imensidão do mar
Pode ser que você deixe aqui nesse cais aquele por quem foi um dia se apaixonar
Mas nessa viagem, não há quem antes saiba o que perdeu, para então encontrar.
Serão vencidas grandes tempestades e tormentas
Alguns chegarão ao fim, outros antes disso vão partir
Todas, afinal, são almas por aventuras sedentas.
Haverá os dias de noites longas, frias e solitárias
Haverá horas de comunhão e também as cheias de aflição
Terão histórias tanto reais quanto as imaginárias
Histórias repletas de medo, de amor e de muita ambição.
É um cais de porto, e o nosso navio está pronto para partir
Para o oceano da vida, para aquele que se considerar desperto
Para quem permitir o oceano por baixo de si apenas fluir
Para aquele que puder aceitar navegar para um destino incerto.
É um cais de porto, o navio está prestes a zarpar
Obviamente haverão as esperançosas, tristes e as difíceis despedidas
Mas há todo um universo aberto para se abraçar
Mesmo que se sinta do adeus a dor, a dúvida e a tristeza desmedidas.
É um cais de porto, alguns nessa viagem irão embarcar, outros aqui irão ficar
No horizonte iluminado, o sol devagar se esconde atrás da imensidão do mar
Pode ser que você deixe aqui nesse cais aquele por quem foi um dia se apaixonar
Mas nessa viagem, não há quem antes saiba o que perdeu, para então encontrar.
Morrendo
Somos seres humanos, somos almas dentro de corpos finitos. Aceitar a percepção de que nosso corpo é passageiro enquanto o que somos é constante é percebermos a nossa magnitude e nossa efemeridade. Quando nos percebermos numa situação de aflição e angústia, se tentarmos elevar os nossos olhos como se fôssemos um pássaro que observa de cima o mundo abaixo dele é tornarmos possível enxergar o nosso problema como se ele não nos pertencesse mais. Buscar outros ângulos de observação é assumirmos que por mais dilacerante que nos seja um momento, ainda assim esse instante será mais efêmero que a existência de nossa vida nesse corpo, nesse instante. Vai passar. O que nossa essência (ou espírito) levará de aprendizado dentro dela devido a esse período é o que nos restará como lembrança e conquista. Que possamos tornar essa conquista o melhor possível, enquanto padece o corpo e a efemeridade inerentes a ele.
What is that love?
What is that love we feel, in a moment that makes us fall on our knees by a familiar face and in another moment it makes us feel our legs tremble front an unknown look? What is this feeling that tears us away on an alone and dark night, and that sometimes when we are together is our goal? What is this love that makes us dream of fantasies and throws us against reality when we realize our own illusion? What is this love that makes us through unknown paths in the name of a search that never ends? What is this love that sometimes forces us to settle the heart in a safe ground when our aspiration is to fly? What is this love so intense, deep and desperate that exists in infinite space and takes away our peace, and gives us in brief encounters for life the feeling of unutterable fulfillment? What is this love that forever searches, never finding a port of all their aspirations? What is this love that we read about, we see in the eyes of others and never get to live fully? What is this love that dominates the soul, which starts in a weeping sore and makes us find the courage to glue the pieces of our heart and move on after a disappointment?
Desaparecer
Eu quero desaparecer dentro de mim mesma, mergulhar na luz e no entendimento de mim mesma. Tirar para mim mesma esse tempo e esse espaço. Permitir que a compreensão inunde meu espírito e como uma luz, ilumine a minha própria escuridão. Quero desaparecer em meio as minhas próprias sensações e reconhecer a vida existente em mim. Como uma estrela cadente que explode alta no céu quero permitir em mim a explosão e o transbordo de luz. Não existe sentido em fazer com que outros percebam a realidade que me toma e condensa-se em mim. Quanto mais me torno névoa por fora, mas densa me transformo por dentro. Muito já deixei cair pelo caminho, muito ainda à deixar. Não quero as coisas pequenas que me tomam o dia e o tempo. Não quero as desculpas e falsos lampejos de hipocrisia e apego. Renego as necessidades do ego. Renego. Renego. Renego. A ilusão do instante presente não me convence. A preocupação do tempo futuro não me preocupa. Desapareço dentro de mim para me tornar quem sou. Explode em mim a luz. É tênue o sentimento que ainda me liga ao meu apego. A linha se estica, se afina, ainda não se rompe. A eternidade em um único sentimento. A compreensão através de um único desejo. A ausência total de temor, a ausência total da necessidade. Então essa é a verdade, onde tudo e nada são a mesma coisa, e essa coisa é o estado absoluto. Eu mergulho. Eu sinto, eu reconheço o sentimento. Eu me liberto, eu não lamento pois não há o que se lamentar. Eu desapareço dentro de mim mesma. Enfim, eu me liberto. E o nome dessa liberdade é reconhecimento, é aceitação. O nome dessa liberdade é amor. Amor sob vontade.
Storm
Suddenly the Sky became Gray, the Sun disappear. A strong wind is blowing all things around me. I open the door, the windows, I let this wind came and touch my face and my body. I’m waiting for the rain. I already hear the thunders. This will be a real storm. And I will let everything open, I will take off my shoes, and I will receive this rain in a state of grace. This storm is nothing if I compare with the storm and openness inside me.
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