30 de set. de 2010

XIII

Recentemente estive conversando com algumas pessoas sobre intimidade. A liberdade que tomamos quando já somos (ou nos consideramos) íntimos de alguém.
Você dificilmente chega na casa de pessoas que não conhece e pede para que mudem o canal da televisão, ou em um restaurante se vira para as pessoas que estão na mesa ao lado e sugere que escolham peixe ao invés de um filé porque o peixe é mais saudável. Muitas vezes a intimidade se confunde com o direito de escolha do outro, com o direito de "espaço".
A intimidade é muito boa quando queremos conversar sobre nossas aflições e nossos problemas, e mesmo assim, as vezes a intimidade pode atrapalhar.
Tememos julgamentos, tememos as interpretações que os outros podem fazer a nosso respeito. Respeito.
Acredito também que muitas vezes a intimidade conflita com o respeito. O respeito pela individualidade do outro. Ser íntimo de alguém, conhecer alguém intimamente não deve significar ter o direito de impor ao outro as nossas condições de vida.
É saudável mantermos nossa intimidade "íntima", como o próprio nome diz. A nossa intimidade é nossa. Ao abrí-la ou ao entrar na intimidade de alguém, vale sempre lembrar que a nossa intimidade pertence apenas a nós mesmos. E se alguém permitiu compartilhar com você um pouco dessa intimidade, agradeça, e principalmente, respeite.

XII

Sobre a Fé e a Anti-Fé

Neste espaço eu gostaria de divagar um pouco mais sobre as crenças (e não crenças) que temos. Tenho notado que é crescente o número de vezes em que é gerada uma certa polêmica religiosa sobre alguns filmes ou livros. Temos diversos exemplos disso, seja a repercussão do Código Da Vinci, o Evangelho Segundo Jesus Cristo, Caim (do Saramago), o novo filme Antichrist (Lars von Trier), entre tantos.
Existem diversas religiões e mais que isso, existem diferentes cultos também.
Tivemos a onda dos punks, skinheads, góticos, etc. Até mesmo o movimento hippie não estava totalmente fora deste contexto. Mesmo a ausência de uma crença, quando enfaticamente defendida, já é por si mesma uma forma de crer.
Em meio as polêmicas existentes, podemos perceber que existem argumentos de defesa para quaisquer dos lados. Não que tenhamos nós o direito de tentar impor a nossa própria crença a outra pessoa, mas por que nos sentimos tão impelidos a defender esta ou aquela religião quando se abre uma polêmica? Qual a necessidade que temos que estamos tentando defender? O que nos faz tomar parte da discussão, ou por que nos sentimos de certa maneira "pessoalmente" atacados? Se somos capazes de respeitar a pessoa que não gosta de carne de porco como nós, ou que não gosta de alface, ou se somos nós que não gostamos de cenoura, por exemplo, e isso não é de forma alguma um problema, por que com religião não conseguimos desenvolver em nós o mesmo respeito?
Já me aconteceu, mais de uma vez, de ser parada na rua na tentativa de ser "convertida". Admiro as pessoas que estão certas e confortáveis com a fé que possuem, mas de forma alguma isso dá a essas pessoas o direito ou a permissão de tentarem impor sua fé para outras pessoas.
Quantas guerras já foram declaradas em nome da religião? Quantos mortos? Em qual religião tal agressão é permitida? A agressão que é feita à liberdade do indivíduo e ao direito de livre arbítrio de cada ser humano toda vez que uma religião é imposta, ou a cada tentativa de coação com a justificativa de se tratar de um ensinamento é o maior princípio possível de arrogância, de determinada pessoa se considerar acima dos demais, independente de suas crenças.
O ladrão que te assalta pode estar motivado pela fome dos filhos que sofrem na casa dele, ou na rua sem um teto onde viver, e ainda assim você estará sendo atacado por ele, independente da razão que o motive.
Qualquer forma de fanatismo é prejudicial, seja para a saúde que temos, seja para a convivência em sociedade. Possuímos mais respostas dentro de nós mesmos do que muitas vezes gostaríamos de supor, portanto, pessoas maravilhosas que são, reflitam com seus próprios corações aonde está o vosso direito de liberdade e aonde se encontra o direito alheio. Não só para a religião, mas para a vida. Respeitem cada vez mais, e sempre mais, as diferenças que existem entre os indivíduos, que é onde se encontram as maiores belezas de nossa humanidade.

XI



Tenho tido a oportunidade de me comunicar com vocês e isso tem sido um grande prazer para mim. Quando temos a chance de ler algum artigo ou um livro, temos a liberdade total de interpretarmos as palavras ali escritas e automaticamente adaptarmos essa interpretação para as nossas experiências de vida. Quando escrevemos, estamos colocando nas palavras muito de nós mesmos, nossos pensamentos, sentimentos e o momento que estamos vivendo. Hoje eu gostaria de colocar um pouco também da minha Fé.
E quando eu digo Fé não digo religião, doutrina ou filosofia, nem me refiro a interpretação individual que cada um tem. A Fé pode ser em um Deus, no Universo, no Futuro, no Destino, mas deve também existir a Fé em nós mesmos.
A Fé de que podemos ser e realizar algo realmente importante e significativo tanto para as pessoas que nos cercam quanto para nós mesmos. Sem Fé nos vemos estagnados, paralisados e sem a confiança de que amanhã será um dia melhor e que virá com novas possibilidades e surpresas. Nós não somos donos do amanhã, somos donos do nosso presente e da Fé que possuímos, e é o bastante para que possamos trilhar o mais belo dos caminhos.

X

Diferenças

Eu tenho escrito aqui nesse espaço alguns pensamentos e reflexões minhas, e sei que cada um que lê esse espaço tem a sua própria interpretação do que aqui vai escrito. A vida que cada um teve até esse momento, a história de cada um é o que trás para cada olhar um ângulo diferente, uma interpretação única, mesmo que com alguns pontos em comum. Estive nos últimos dias atormentada por um pensamento.
Por que existem pessoas que se calam? Por que muitas vezes quando sentimos a necessidade de um ombro, de um consolo, não obtemos esse apoio de onde gostaríamos? Seria tão mais fácil ouvir, mesmo que uma negação, do que nos vermos obrigados a engolir o silêncio.
Algumas pessoas simplesmente não conseguem. Não percebem que o simples fato de dizer algo do tipo "Sinto muito", ou então "Eu lamento, mas não sou como você gostaria" ou ainda "Olhe, não vou me desculpar por não ver as coisas como você", qualquer coisa do tipo pode trazer tamanho alívio para o coração que se vê aflito. Muitas pessoas podem não saber o que dizer em um momento de adversidade, ou em uma situação de luto. Por que não dizer simplesmente "Não sei o que dizer, estou sem palavras"? Não digo isso apenas para situações assim tão tristes, pode ser qualquer situação, muitas vezes apenas abrir o coração e deixar sair a verdade pode aliviar muito mais do que o silêncio que prolonga a ansiedade, a insegurança ou o medo.
Todos nós temos nossos fantasmas, nossa intimidade muitas vezes assombrada e temerosa. Abrir mão das nossas defesas pode muitas vezes ser o suficiente para levar a paz e a tranqüilidade daqueles que nutrem alguma expectativa ou sentimentos sobre nós.
Não entendo porque fazemos tanta questão de nos resguardamos das pessoas que são pessoas como a gente. De onde vem esse nosso medo?
Se for medo de não sermos aceitos, será que não é muito mais provável que não sejamos aceitos por justamente escondermos ou camuflarmos a nossa essência? E se formos aceitos, não é uma imagem fictícia que está sendo aceita ao invés de nós mesmos? Qual a vantagem de lutarmos tanto para preservar e não demonstrar o nosso íntimo se é o nosso íntimo o que há de mais belo e verdadeiro em nós?
Se alguém espera algo de você, não há maior alívio que você possa dar do que expor a si mesmo seja para acatar ou para negar essa expectativa. A verdade, tanto para nós mesmos quanto para os outros, é o alívio que só pode existir através da compreensão. E a verdadeira compreensão só é possível de ser atingida quando a verdade é conhecida. Sejamos capazes de sermos quem somos, e assim deixarmos para trás as armaduras que só trazem peso às nossas costas.

IX

Ser Especial

Dessa vez tenho uma confissão a fazer. Eu acreditava que eu era de alguma forma, uma pessoa diferente, especial. Acreditava que o comum era muito pouco, e queria mais, mais de tudo, mais da vida. Acreditava que se contentar com as coisas era um desperdício de toda a capacidade existente em mim. Mas percebi algumas coisas nos últimos tempos. Tenho sim um valor além do valor comum, e esse é o valor que atribuo a mim mesma.
Para mim, não existe nada mais especial ou que valha mais a pena do que eu mesma. Com essa percepção, as pessoas tornam-se ainda mais importantes, cada uma para si mesma. Não existe ninguém prestando tanta atenção em nós como as vezes gostaríamos que estivessem. E isso é um alívio, pois você pode, por si mesmo, cometer todos os erros e acertos que julgar importantes para você.
O comum não existe, nem o tradicional, o normal. O que existe é o correto para cada ser humano, para cada indivíduo, e cada um tem todo o direito de estar e de viver de acordo com a sua própria verdade. Quando a gente percebe que é como as outras pessoas, nem mais, nem menos, nem diferentes e nem iguais, mas estamos todos com as mesmas incertezas, medos, dúvidas, amores, necessidades, carências, coragens e fragilidades, abrimos uma porta enorme para aceitarmos tanto nós mesmos quanto os outros em nossas vidas.
Aceitarmos os erros alheios sabendo que muitas vezes erramos perante os olhos que nos vêem também, mesmo que para nós, não tenhamos cometido erro algum.
São essas pequenas coisas que tornam a vida um bem tão precioso, tão repleta de possibilidades e beleza. Somos todos iguais, e nessa igualdade, tão magnificamente distintos.

VIII

Solidão

As vezes lamentamos alguns espaços vazios em nossas vidas, nos sentimos sós. Podemos ter pessoas ao nosso lado e ainda assim nos sentirmos sós. Na realidade, somos seres humanos solitários, assim nascemos e assim morreremos. Aceitar isso como a realidade da vida é fundamental para que possamos usufruir da melhor maneira os momentos em que duas ou mais pessoas se encontram na mesma sintonia, dividindo instantes e pedaços do caminho de nossas vidas. Acreditar que é possível viver a vida de outra pessoa ou que uma outra pessoa pode viver a nossa vida, sentir nossos sentimentos, pensar nossos pensamentos ou conhecer o mundo que existe dentro de nós é ilusão, não faz parte de nossa natureza, pode no máximo, fazer parte de nossas expectativas – o que não quer dizer que deixem de ser ilusões por isso. As pessoas que cruzam nossa vida sempre possuem algo que nos podem ensinar, nos possibilitar amadurecer ou simplesmente abrir um espaço para que possamos, com mais clareza, percebermos melhor a nós mesmos. Muita gente tem medo da solidão, e não percebe que não há maior possibilidade de nos compreendermos do que estando sós com nós mesmos. Ninguém precisa ser uma ilha por isso ou um ermitão. A nossa vida pode possuir inúmeros encontros e desencontros, muitos amigos com quem compartilhar nossas alegrias e tristezas, muitos braços e abraços que nos apóiem nos instantes mais complicados, mas ainda assim, a vida de cada um, a jornada de cada um é uma jornada solitária, onde nos cabe encontrar as nossas respostas, realizar as nossas descobertas, encontrar nossa satisfação e conhecimento. Quanto mais cedo aceitamos essa realidade, mais cedo tomamos para nós a responsabilidade de nossas vidas, de nossos atos e nosso futuro.

VII

Mudanças

Quantas vezes a gente olha para a nossa própria vida e reconhece tantas coisas que são verdadeiras razões para nos sentirmos gratos, felizes... Quantas vezes percebemos que algumas atitudes nossas podem nos fazer ser pessoas melhores, mais merecedoras de tudo aquilo que temos? E quantas vezes percebemos que uma mudança em nós pode transformar as coisas que não vão bem em possibilidades reais de melhora em nossas vidas?
Pois somos como as sementes, e muitas vezes arrebentar a casca nem sempre é fácil, é como deixar a semente morrer para nascer a nova planta, capaz de crescer, de florescer, de evoluir. Mas assim como pode ser um processo doloroso, é também um processo necessário se esperamos atingir alturas maiores. Muitas vezes é através da dor e do sofrimento que aprenderemos a dar valor aos períodos de paz e felicidade, assim como também poderemos constatar que somos muitas vezes mais fortes e mais capazes do que antes imaginávamos. Somos, cada um a sua maneira, uma estrela, e para onde vamos dirigir o brilho que possuímos é uma escolha individual e necessária. Estando todos nós em conformidade com a nossa própria natureza, nossa verdade e nosso potencial de realização e crescimento, estaremos tornando o mundo onde vivemos em uma constelação harmoniosa e deslumbrante. Assim, a nossa missão é a de mantermos acesa a nossa luz, não para que a estrela ao nosso lado perca ou diminua o seu brilho, mas para que todo o céu se ilumine em uma homenagem ao Universo e a cada um de nós.

VI

Estava pensando no que eu poderia escrever. Tanta coisa existe por aí, tanta informação acessível, tantas culturas, filosofias, religiões e provérbios inteligentes, palavras profundas e frases de efeito. Então me lembrei de algo que me ocorreu a alguns dias atrás, sobre a vida e a morte. É comum as pessoas falarem para aproveitarmos o tempo presente, viver com intensidade o momento que temos agora, plantarmos as sementes para o nosso futuro mas sem esquecermos de viver o hoje. Gostaria de fazer uma reflexão.
Nem sempre a nossa saúde vai bem, nem sempre podemos nos sentir seguros em relação aos anos que teremos pela frente. Podem ser muitos, podem ser poucos, pode nem mesmo chegar a ser um ano completo. Então, se você estivesse numa situação de saúde muito grave, sem muitas esperanças, e se, por acaso, contrariando todas as previsões e diagnósticos, você se recuperasse e pudesse ter mais alguns dias de vida, para quê serviriam esses dias, sabendo você serem os seus últimos? Estar com a família, amores, amigos? Seria mesmo possível se despedir daqueles a quem amamos?
É lindo pensarmos em sempre dizer nossos sentimentos, em sempre cuidarmos de nossos afetos. Mas se você percebe que o seu tempo torna-se subitamente limitado, e que você torna-se apenas você, sabendo que não há quem possa dividir o instante da morte com você, o que fica? Você com você mesmo. E aí eu pergunto... quem é você? Você é o suficiente, você é tudo aquilo que poderia ser?

V

Expectativas & Um coração partido

Nossas expectativas e nosso coração quando se parte. Como lidar com isso? Como encontrar a melhor maneira (para nós) de lidarmos com essa situação? Se nosso coração se partiu, é porque haviam expectativas, é porque algo que desejávamos (esperávamos) não se concretizou. Talvez nem mesmo a gente reconheça com clareza quais eram essas expectativas, mas podemos sentir quando algo se parte dentro de nós. E o que fazer então? Um caminho, e acredito que esse seja um bom caminho, é buscarmos ter o conhecimento de quais eram essas expectativas que não tiveram sucesso, o que realmente desejávamos e esperávamos e não ocorreu. Será que passamos a esperar algo de alguém que não de nós mesmos? E não é isso então uma tolice? Esperar que uma outra pessoa tenha a chave para a nossa própria satisfação e felicidade? Sim, é duro... mas se olharmos com atenção para isso, talvez, no futuro, saibamos enfim encontrar uma maneira de focalizarmos nossas expectativas em nós, nas atitudes que são coerentes para nós e para os nossos sentimentos, aprendendo a respeitar a nós e aos outros e não nos machucarmos demais quando existe uma controvérsia entre a realidade de duas pessoas, e expectativas e desejos diferentes.
Ter expectativas em relação a uma pessoa pode, muitas vezes, nos fazer olhar tanto para essas expectativas, que a realidade e a verdade podem acabar envoltas nessa névoa de nós mesmos. Aí cabe a nós decidir... queremos ter nossos olhos abertos?

IV

Como indivíduos somos únicos, possuímos diferentes prioridades, propósitos e objetivos. Muitas vezes permitimos que a vida nos direcione e esperamos estar no lugar certo, no momento certo, com as pessoas certas. Temos tamanha confiança nisso que muitas vezes deixamos de tomar atitudes e decisões em nome dessa confiança. Até que ponto o nosso amadurecer e nosso crescimento está então em nossas mãos? Será que não depende de nós o quanto lançamos um desafio a nós mesmos para atingirmos estágios mais altos da nossa própria compreensão e evolução?
Se assim for, o lugar certo, a hora certa e as pessoas certas dependem muito mais de nós que da confiança que temos no que chamamos de destino. Muitas vezes é preciso reconhecer que essa confiança acaba sendo utilizada por nós como uma forma de nos mantermos protegidos, em segurança e na chamada nossa "zona de conforto". Não que seja fácil nos olharmos e percebermos que estamos um tanto acomodados quando esperamos mudanças em nossas vidas e deixamos que o tempo e os acontecimentos nos tragam aquilo que desejamos.
Cabe a nós, a cada um de nós, a responsabilidade por aquilo que desejamos. A razão pela qual o lugar e a hora em que nos encontramos hoje estar certa é o fato de que nós, através das escolhas que fizemos, nos trouxemos até aqui. Não existem escolhas certas ou escolhas erradas, desde que elas sejam feitas de acordo com a verdade individual e absoluta que habita em cada um de nós.
Que possamos conhecer e reconhecer a nossa verdade em meio a verdade de outros.

III

A importância que dou a mim mesma significa que sou egoísta? Ou através da importância que me dou estabeleço minha própria competência? Possuímos vontades que não são possíveis de serem realizadas ou depende apenas da força com que reconhecemos essa vontade torná-la realidade um dia?
Se somos únicos, se existe um Deus dentro de cada um de nós, e através deste Deus todos nos conectamos com o universo, como estabelecer um limite para aquilo que podemos?
Se olharmos a história, quantos desbravadores existiram? Quantos feitos inacreditáveis? Será que alguém ousou dizer para um deles que não seria possível? O que nos define como seres humanos não é exatamente a capacidade de realizar feitos? A de cada vez mais estender as barreiras daquilo que podemos para mais alto, a capacidade de adquirirmos mais conhecimento do que aquele já aprendido? Quem vai ousar dizer que existe algo que não posso realizar além de eu mesma? Além das minhas próprias inseguranças e temores? O quanto deixo meu ego direcionar meu caminho?
Muitas vezes quando tememos algo, tememos apenas uma outra coisa. Muito mais difícil de admitirmos para nós mesmos. Quais são os seus medos? Conheço mesmo todos os meus? Ou tenho medo de olhar para eles sem sombra, na completa realidade do que representam? O que representa para nós termos Deus em nossas vidas? O que significa, em nosso íntimo e em nosso coração, acreditarmos em Deus? É uma necessidade? Necessidade de quê?
Quais são os espaços vazios em nossas vidas, e o que utilizamos para preenchê-los?

II

O quanto nossas vidas são guiadas por nós, o quanto de nossas vidas deixamos que sejam guiadas pelo acaso, pelos outros ou pelas circunstâncias que nos cercam? Dessa resposta depende aquilo que desejamos para o nosso futuro. Se hoje deixamos que os acontecimentos nos “levem”, não podemos esperar que o futuro seja aquilo que planejamos, mas sim o que as circunstâncias provocarão.
Existe um ditado que diz “Você faz suas escolhas, suas escolhas fazem você”. Eu ousaria incrementar um pouco, afirmando que não só as escolhas que fazemos nos define como também define aquilo que teremos para o nosso futuro. Nos acomodarmos hoje implica em não podermos criar demasiadas expectativas para o futuro, se ao invés de estarmos criando nosso futuro estivermos apenas deixando que ele aconteça conforme o acaso desejar.
Conforme o tempo vai passando e vamos envelhecendo, muitos de nós perdem a coragem de sonhar. Por que perdemos essa coragem? Será que é pelo fato de muitos sonhos que um dia tivemos simplesmente não se realizaram? E será que esses sonhos por acaso não se realizaram apenas porque optamos por deixá-los esquecidos em alguma gaveta de nosso passado, cedendo espaço para que o acaso nos guiasse? A falta de coragem para sonharmos novamente não é então medo de que não nos empenhemos o bastante? Não é apenas falta de confiança em nós?
Desejo a vocês muitos sonhos, e afirmo que cada um de nós tem a força e a coragem de realizar cada um deles com máximo empenho e vitalidade bem dentro de nós, basta não deixá-los de lado em alguma gaveta esquecida.

Artigos

I

Nestes tempos onde existem tantos conflitos e tanta falta de amor, facilmente aceitamos desculpas e justificativas para aquelas coisas que não vão bem em nossas vidas, ou até que nos trazem alguma infelicidade ou insatisfação. Facilmente podemos acabar por justificar nossos insucessos, tristezas ou frustrações devido a situações que nos acontecem, a pessoas que nos cercam ou até mesmo porque eventualmente “Deus escreve certo por linhas tortas”.
Gostaria que por um momento nos considerássemos como os donos de nossas próprias vidas. Se fizermos isso, poderemos perceber que de fato somos os únicos responsáveis pelas atitudes que tomamos ou que eventualmente deixamos de tomar. Isso nos leva a outra constatação: a realização ou não dos nossos sonhos e desejos tem apenas um responsável: Nós mesmos.
É uma responsabilidade enorme. Sabem aqueles sonhos que tínhamos quando éramos crianças ou adolescentes? A pessoa que somos hoje é fruto da realização e da não realização daqueles sonhos. Não foram as circunstâncias, os pais, irmãos, a falta de dinheiro ou a necessidade de trabalho que nos impediram, mas as escolhas que fizemos. Fazemos escolhas todos os dias, e precisamos estar atentos para as responsabilidades e conseqüências que estas escolhas acarretam.

2 de set. de 2010

Ai!

Ai, ai de mim e de minha vontade de escrever, de dizer.
Os sentimentos que pulsam dentro de mim e que batem mais forte que as batidas do meu próprio coração.
Ai, ai de mim e da minha vontade de sonhar, e de viver, que faz com que não exista nada além da própria vida.
Ai, ai de mim, que vivo mais em mim mesma do que a vida que mesmo existe.
Ai, ai que grito em meu silêncio, que me expresso em voz muda, calada, porque tudo que tenho pra dizer e escrever é grande demais pra caber em qualquer palavra.
Ai, ai de mim, que sei apenas sentir!
E sinto tanto, com tamanha intensidade, que na minha própria vitalidade vivo a morte e renascimento da própria vida.

3 de ago. de 2010

Brincadeira

E nessa ciranda alucinante, de projeções falhadas e expectativas incontidas, podemos mergulhar no eterno e recorrente iludir e desiludir, buscando coisas impossíveis e realizações externas enquanto nos desintegramos por dentro. Mas sim, há que sorrir, e levar na brincadeira o eterno rodopiar a volta da própria cauda, e rir de nossos próprios pensamentos e imaginação. Não há que ser tudo sério, nada tem que ser dramático ou sofrido, nem mesmo o próprio sofrimento. Pode-se sempre escolher enxergar o cômico ao trágico, ainda que de nossa própria tragédia.
Ah, se dói que deixe doer, porque passa, e passa ainda mais rápido quando aprendemos a rir disso. Ah, deixa vir nossas ilusões e projeções, que a vida é feita de instantes e escolhas, e não há que ser pesada por isso.
Nossa mente é apenas a nossa mente, não precisa ser impedimento para que vivamos nossas vidas, não deveria ser.
Take your chances, take your chances.
Don't be afraid, everything will pass.
Choose to be happy, and life will change.
Posso me iludir, posso tropeçar e cair, posso pegar atalhos e caminhos errados, posso fazer escolhas tortas, porque assim se vive, mais do que aprender, assim se vive.
I'm full of life, I'm full of joy. I'm full of myself. And I'm alive. Aliveeeeeee! And everyone should be too :)

11 de jul. de 2010

Quadrados

Somos feios, muito, muito feios. Nossas formas são ponteagudas, afiadas e irregulares. Somos pedras com camadas de ilusões para disfarçar nossa aparência até de nós mesmos. Egoístas e cegos, apalpando e mendigando por quem veja em nós uma beleza que não existe. Somos extremamente iguais, disfarçamos é a nossa superfície.
Amor (paixão) é necessidade. Amor, amor mesmo, é simples, sem nenhum tamanho, sem nada, só é.
E pode não ser nada.
Uma pedra que ama não deixa de ser pedra, reconhece a pedra que é.
E sou pedra.
E quem diz que não é?

7 de jul. de 2010

Historinha

Ninguém vai entender isso, então não se dêem ao trabalho de ler. Escrevo para mim, só para me lembrar disso depois.
Ela era louca.
Acordou numa manhã e foi comprar uma armadura, ela decidiu ir pra guerra. Comprou também uma espada. Brigou com todos para poder ir pra guerra. Aquilo transformou-se num ideal, ela ia e ia vencer todo um exército.
Ia arrancar cabeças e amputar braços e pernas, se veria mergulhada em sangue e conquistaria sozinha a batalha toda. Ninguém poderia detê-la. Pois, não poderiam mesmo, quem detêm um louco???
E ela foi para o campo de batalha, e encontrou cachorros doentes de raiva no caminho, se engalfinhou com eles, desconfio até que pode ter mesmo mordido alguns. Saiu sem um arranhão, até os cães raivosos viam o perigo de enfrentar um louco.
E mantinha a postura de ataque constantemente, pobre de quem se aproximasse! Ela era louca.
Pior ainda. Ela era louca e tinha um objetivo, o que pode ser pior ou mais perigoso que um louco com um propósito? (Saiam da frente se encontrarem alguém assim)
Muita gente bateu palmas a cada corpo que ela deitava ao chão. Era um espetáculo! (Tipo pão e circo ou qualquer coisa assim) Muita gente não conseguia sequer olhar e desviava o rosto. Alguns não sabiam o que pensar.
Mas chegou um dia em que a noite durou tempo demais, e não clareava. E ela, com a armadura cheia de sangue e brandindo a espada na mão, com dores de cansaço e câimbras por todo corpo persistia... Olhava para o céu escuro, estranhava aquilo, mas persistia.
Sem se saber como ou por quê, de repente a noite acabou. Mas não se fez dia. Não era claro nem escuro, não havia Lua ou Sol, não havia nada, nem mesmo o campo de batalha estava mais ali.
Era nada. E era tudo. Era consciência.
Como louca que era, ela viu a existência. Viu o próprio caminho, tanto passado quanto futuro, viu a própria alma e a própria existência. Tomou um susto. Não havia desafio. Não havia guerra. Não havia busca, não havia nada, eram apenas passos, quaisquer passos, em qualquer direção.
Estava tudo certo, estava tudo bem. Não havia luta.
E o objetivo, o propósito, não era sequer um propósito. Era normal também, fazia parte daquela dança enlouquecida, fazia parte como também fazia parte qualquer armadura ou espada que ela decidisse empunhar.
E como louca que era, ela se sentou. E riu. E não era um riso histérico, desesperado. Era cômico! Aquilo era cômico!
Dizem por aí que só os loucos conseguem perceber e se divertir com algo cômico. Pois... ela era louca... e conseguiu.
Também há quem diga que ela nunca foi louca, mas sim que ela conseguia ver o que outros não viam. Nunca fez diferença para ela se ela era louca ou não.
É como quando alguém conta uma história engraçada que só você entende e ri. Faz diferença se alguém mais dá risada? Não... não faz diferença nenhuma, porque você ri. Você percebeu. E o fato de só ter sido você a perceber, torna a história ainda mais cômica. E então você ri ainda com mais vontade.
Ai, ai....
(suspiro)
Rsrsrsrsrs

Pois.

Então sentei. Sem Sol e sem Lua sobre mim ou meus sonhos. Apenas me sentei, e então eu vi. Não foi nenhum relâmpago ou estremecimento de chão, nada demais aconteceu, apenas enxerguei. Sem mistério, sem música de fundo.
Enxerguei e dormi um sono tranqüilo depois de dias de pesadelos. Nenhum furacão, nem redemoinho, nem tempestade. Enxerguei o que esteve na minha frente por tanto tempo e que eu me neguei a ver. Porque não queria ver, porque tinha escolhido pintar as cores por mim mesma ao invés de ver o que estava ali, o que sempre esteve ali.
E assim, percebi que posso tudo o que eu quiser, se eu decidir acreditar no que eu quiser. Mas é muito mais fácil quando não se acredita, exige menos trabalho, menos sacrifício, menos esforço.
Uma longa caminhada, mas agora sentei. Eu poderia exclamar com um ar de decepção “É só isso???”, mas não é nenhuma surpresa... sempre esteve ali, eu que não quis ver.
Não é nada demais, nada de menos. Normal.
Sem fadas e duendes, sem mistérios para serem desvendados.
Pois...
Pois.

1 de jul. de 2010

Freedom

It is very easy to talk about what you want. What we want, what is expected. But there is greater freedom in not wanting. In not wait. In not need. Everybody wants something, wait for something, seek or search for something. When you find in yourself the certainty that things, whether they can be better or not, are fine as they are, you become free. Becomes owner of your own life, and learn how to accept, to simply be.
Everything becomes a gift, or simply a problem that sooner or later will pass. You are not the time you are living. The moment will pass - you don't. You can change, learn, hit, miss.
You can laugh or cry. Another day will come, and will be another day.
More than the situation you live, you're the sum of the choices you make.
If you choose to just be instead of trying to be a necessity, a desire, fear or uncertainty, you're free.
And you became you and not what you live.

É muito fácil falar sobre aquilo que se quer. O que se deseja, o que se espera. Mas a liberdade maior existe no não querer. No não esperar. Em não precisar. Toda gente quer alguma coisa, espera alguma coisa, busca ou procura alguma coisa. Quando você encontra em você mesmo a certeza de que as coisas, independente de poderem ser melhores ou não, estão bem como estão, você torna-se livre. Torna-se dono da própria vida, e aprende a aceitar, a simplesmente ser.
Tudo passa a ser um presente, ou apenas um problema que cedo ou tarde passará. Você não é o momento que vive. O momento passará - você não. Você poderá mudar, aprender, acertar, errar.
Pode rir ou chorar. Outra dia virá, e será outro dia.
Mais do que a situação que você vive, você é a somatória das escolhas que faz.
Se você escolhe apenas ser ao invés de tentar ser uma necessidade, uma vontade, um medo ou uma incerteza, você é livre.
E torna-se você, e não aquilo que vive.