Houve um tempo em que minha alma reconhecia sua casa, cercada dos silêncios e dos sons que a terra produzia sob o casco dos cavalos, o vento nas árvores, o canto dos pássaros e o chamado das corujas ao entardecer.
Um lugar para onde eu tentava sempre regressar, até deixar de ser casa, até o tempo passar e minha alma dar seus passos em constante procura.
Para minha alma, alguns lugares já foram casa, e também algumas pessoas já foram lar. Mas meus passos não souberam parar.
Qual seria o caminho, se o caminho em si não fosse o facto de percorrê-lo?
As coisas prontas sempre me deram medo.
Quando olhei bem mais tarde para a vida pronta, o que seria então viver senão recomeçar?
Hoje há um terra que chama. Uma terra desconhecida para mim, mas que cá dentro minha alma já chama de lar. Onde a lua habita nos olhos de todos os seres, onde o sol é fogo e o inverno faz trincarem os ossos.
Olhei adiante, e a sabedoria adquirida sobre o peso das noites escuras e vazias onde o silêncio reina e a solidão acompanha não me fazem duvidar, mas prontamente aceitar o desafio.
Não contei e nem esperei ter apoio nas mãos, nem conforto no coração. Já não quero esperas ou confortos - mas sua chegada querido, foi bem recebida, e pouco ou nada pode sair com maior honestidade de dentro de mim.
Conheço meus pés com mais propriedade do que seria são, assim como ignoro meu peito com exímia competência.
Houve um tempo em que minha alma reconhecia sua casa, até eu aprender a andar. E não sei, não sei querido, se eu saberia agora parar.
O caminho não me assusta, me assusta mais, muito mais, meu amor, pensar que já não é mais preciso andar. O que faço eu então os meus pés?
Terras distantes, paisagens por descobrir, pessoas por desvendar, intelectos e caráteres por analisar, amores à perder, ilusões por fantasiar, noites abismais para descrever, tanto sofrimento por ter, onde eu os guardo, meu bem?
Se me acolhes no teu ombro, se me amparas os passos... conta-me meu amor, o que sobra para eu fazer?
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