Pelos passeios diários, muitas vezes cronometrados, mas constantes.
Obrigada pelos dias que me fizeste sair cedo da cama, ainda cheia de sono, e assim poder ver o dia nascer. Pelos passeios que me permitiram sentir a chuva a cair, o vento gelado ou o sol escaldante.
Obrigada por me obrigar a ver o mundo lá fora, quando tantas e tantas vezes eu estava fechada para dentro. Por me mostrar a possibilidade de ser alegre só por ver passar qualquer pessoa, qualquer cão, gato, passarinho, sombra ou folha a voar.
Obrigada por me estar a ensinar que aquilo que há agora, realmente, é mesmo só o instante de agora, e pode acabar a qualquer instante.
Obrigada por até neste momento tão difícil, tão impossível, me estar a ensinar e mostrar tanto.
Eu não sei quanto tempo temos, e isto me mostra de forma inequívoca e nítida o que eu sempre devia saber (e ter consciência) a todo minuto: nunca, ninguém sabe realmente quanto tempo tem. Que fácil é nos esquecermos! Que difícil é termos que nos lembrar!
Não sei se quando acontecer a nossa despedida vamos estar juntas, não sei se será hoje, amanhã, daqui a 10 dias, um mês, um ano. Mas sei que nunca será uma despedida, sei que cada milésimo de segundo vale por toda a vida, e que de facto, o tempo não existe.
Obrigada por me mostrar que o necessário é apenas ser feliz, e que mesmo nessa fase de tristeza e dor, a felicidade também existe, por todo e cada segundo permitido agora, ontem, amanhã e realmente, para sempre.
❤️